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HORÓSCOPO CÂNCER - 21/06 à 21/07
O signo de Câncer é regido pela lua e seu elemento é a água
seu símbolo o caranguejo revela um animal que sobrevive graças à casca dura e áspera protegendo um corpo tão macio e delicado. A palavra-chave para se penetrar no mundo fechado dos cancerianos é a vulnerabilidade.

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Horóscopo e os Orixás

 

 

 

 

 

Símbolo: Expressa o princípio gerador (útero). Possui duas concavidades formando um círculo aberto. A parte superior indica um movimento para a esquerda (volta ao passado). A parte inferior um movimento da esquerda para a direita, representando uma vivência do mundo exterior.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mito de Câncer Aquiles

 

 

A "Mãe Terrível" e a ameaça a Câncer

Uma das mais antigas imagens de começo e recomeço da vida, como uma só unidade, é o Ouroboros, ou universo serpentino, a serpente que engole a própria cauda, sendo simultaneamente começo e fim de si mesma; ela é a representação do Todo, que para a mente infantil e para o "primitivo’ parece andrógino, homem e mulher ao mesmo tempo, uma vez que o seu mundo inicial se limita e se basta em "papai" e "mamãe".

É desse Todo que fazem parte as imagens arquetípicas do Pai Divino, que continuamente dá vida e inventividade à sua criatura, e da "Mãe Terrível", que tenta de todas as maneiras evitar o completo nascimento de sua criação.

Nesse par Pai Divino - "Mãe Terrível", ambos os pólos parecem fazer parte da mesma percepção que o inconsciente profundo registrou do processo da vida: o inconsciente coletivo é pai e mãe ao mesmo tempo e é dele (e dos mitos ali constelados ou representados) que nascem as definições futuras a questões relativas a essas duas figuras parentais e à forma pela qual a criança perceberá ambos futuramente, de acordo com os seus filtros de leitura de mundo.

Afinal, por ser um signo regido diretamente pela Lua (símbolo central da imagem materna na carta astrológica natal), Câncer possui uma emocionalidade quase irresistível e exige como principal tarefa de integração interior ou individuação a necessidade de resgatar a própria identidade do regaço materno.
                                                        
Da "Mãe Terrível", temos na mitologia hindu a figura milenar de Kali: uma mulher sentada, com oito braços nas costas (qual uma aranha), amamentando uma criança com a mão direita enquanto devora outra criança com a esquerda.

Símbolo perfeito da mãe que alimenta fisicamente e nutre, ao mesmo tempo em que impede o pleno desenvolvimento de individualidade da criança que é alimentada, essa imagem aparece em inúmeros mitos revestida de formas diferentes (uma delas, bem mais moderna, é a da madrasta de Cinderela ou a da Bela Adormecida, que se sentem ameaçadas pela juventude e jovialidade da enteada e tramam o seu "adormecimento"). Entretanto, há uma figura mitológica grega que parece representar mais de perto a "Mãe Terrível" que perpassa a vida de todo canceriano,seja homem ou mulher: a deusa Hera e o caranguejo que vivia no pântano da Hidra de Lerna, que nos remetem diretamente aos doze trabalhos de Hércules.

Enfrentar a Hidra, um monstro de muitas cabeças que habitava no pântano de Lerna, foi o segundo dos "doze trabalhos" que Hércules realizou, todos por inspiração direta de Hera, que o odiava mortalmente.

Zeus se apaixonara por Alcmena, prometida de Anfitrião, rei de Tebas, e através dela resolvera dar a essa cidade grega um herói como jamais existira.

Para isso, sabedor da fidelidade de Alcmena, "travestiu-se" de Anfitrião, que estava a guerrear, e teve com ela três noites de amor, engravidando-a de Hércules; a seguir, com o retorno do legítimo prometido e após ter se casado com ele, Alcmena engravidou de Íficles.

Nasceram, assim, dois gêmeos. Não feliz com isso, Zeus tramou a imortalidade de seu filho mortal preferido: adormecendo Hera, fez com que a criança sugasse o seio da deusa. A despeito de a deusa ter acordado e repelido Hércules, borrifando longe o próprio leite e dando origem, com isso, à Via Láctea, o menino tornara-se imortal. E isso, Hera nunca perdoou.

Lançou contra Hércules a maldição da raiva e da demência, e ele acabou por matar os próprios filhos e a esposa; a seguir, já lúcido, Hércules consultou o Oráculo de Delfos sobre como expiar tão bárbaro crime, recebendo como resposta a servidão ao primo Euristeu.

E este, por sua vez, sob mando de Hera, deu-lhe por tarefa os doze trabalhos (dos quais se supunha não sairia vencedor), entre os quais o enfrentamento da Hidra de Lerna.

Na verdade, os doze trabalhos representam a longa série de tarefas que o Herói terá de executar a contento para, depois de todas, renascer um homem novo. Simbolicamente, segundo o mitólogo francês Paul Diel, as múltiplas cabeças do monstro de corpo de serpente configuram os vícios múltiplos, nos quais se prolonga o corpo da perversão, a vaidade.

Vivendo num pântano, a Hidra é particularmente caracterizada como símbolo dos vícios banais.

Enquanto o monstro viver, enquanto a vaidade não for dominada, as cabeças, símbolos dos vícios, renascerão, mesmo que por uma vitória passageira se consiga cortar uma ou outra.

Para vencer o monstro, Hércules usa a espada, arma de combate espiritual, conjugada ao archote, que cauteriza as feridas, a fim de que, uma vez cortadas, as cabeças não mais possam renascer. O archote simboliza a purificação sublime.

Acontece que - e aqui encontramos nosso crustáceo - no pântano de Lerna habitava um imenso caranguejo, enviado por Hera, o qual investiu contra Hércules pelas costas no momento mesmo em que ele enfrentava a Hidra, "pinçando-o" pelas ancas e pelos pés. O Herói conseguiu matá-lo e, em seguida, derrotar a Hidra.

O episódio nos mostra a raiva da matriarca contra a possibilidade de independência e identidade individual de sua criatura; daí a batalha para livrar-se da mãe ser tão constante na vida dos cancerianos - uma batalha que sempre parece maior do que é realmente, uma vez que a figura materna representa, para o inconsciente mais profundo do canceriano, a unidade ourobórica todo-poderosa que detém os destinos de si mesma e de cada elemento da criação (aquela unidade Pai Divino -"Mãe Terrível" que vimos há pouco).

Na vida do canceriano, o pai está com freqüência ausente (viagens, serviço etc.) e a mãe é percebida como o único pólo de poder no lar, razão pela qual a criança mal consegue apropriar-se do em geral

grande poder criativo paterno; geral grande poder criativo paterno; mais ainda: não raro a mãe da canceriana disputa com ela a primazia pelo poder feminino no lar, obrigando-a a "ocultar-se de si mesma".

Assim, essa vivência infantil e aquele padrão mítico emprestam à mãe uma dimensão que ela muitas vezes não possui, o que explica o "complexo materno" encontrado no canceriano (seja ele homem ou mulher): a cada nova relação vem à tona a busca do "útero materno", a busca de quem "cuide" dele, com manifestação de comportamentos infantilizados que se chocam contra a aparente liberdade realizadora da pessoa - ao fim e ao cabo.

Ela está em busca de libertar-se do pesado sentimento de isolamento e separatividade que representou a saída do útero, mas tentando sempre retornar a ele.Muitas vezes esse padrão duplo - o monstro sendo enfrentado e o caranguejo desestabilizando por trás - é vivido projetivamente e encontramos a relação típica na qual o parceiro, ao mesmo tempo em que parece apoiar as tarefas de crescimento do canceriano, "sabota-o" pelas costas nos momentos mais difíceis. Ou vice-versa.

Entretanto, temos de nos aproximar também de outras figuras mitológicas para ampliar o entendimento do profundo substrato mítico de Câncer; para isso, devemos ver de perto o escaravelho sagrado egípcio e a deusa grega Tétis, deusa dos mares e oceanos, de onde toda a vida surgiu.

O escaravelho, que já ocupou o lugar do caranguejo neste signo do zodíaco (assim como a Águia fora o símbolo mais antigo do signo de Escorpião), era considerado símbolo da perpetuidade da vida pelos egípcios, dado o fato aparente de "renascer" de uma bolinha de terra.

Na verdade, eram pequenas bolas de terra e esterco, nas quais o inseto depositava suas larvas, que cresciam com o calor da fermentação do esterco.

O fato de o escaravelho rolar a bola de um lado para outro, após o que a vida surgia, implicou a comparação com a passagem do círculo solar de um lado para o outro do horizonte, graças ao que a vida se manifesta em sua plenitude, levando à sua imediata associação com o deus Sol egípcio, "pai" de toda a criação.

A outra figura mitológica, Tétis, parece explicar diretamente muito comumente encontrada no canceriano de a capacidade de representar as imagens do inconsciente coletivo de maneira criativa.

A deusa, que havia recebido a profecia de que um filho seu seria muito maior do que qualquer deus, foi impedida por Zeus de desposar uma divindade: ela só poderia ter como esposo um mortal, homem comum.

Em outras palavras, somente depois de ter aprendido a canalizar através do Ego seus imensos poderes de criação e transformação, próprios de seu interior inconsciente oceânico, é que o canceriano se realizará.

Porque Tétis nos aproxima mais uma vez da "Mãe Terrível". De Peleu, Tétis concebeu Aquiles, o grande herói da Guerra de Tróia.

Para impedir que Aquiles se expusesse a essa guerreiro, Tétis o vestiu de mulher, pois havia a profecia de que Aquiles teria uma vida curta e cheia de glórias ou uma vida longa mas inglória: Tétis, "Mãe Terrível", preferiu a segunda hipótese.

E assim, às vezes, o canceriano prefere ficar no colo da mãe em vez de libertar seu imenso potencial criativo; outras vezes, fica à espera de que alguém venha realizar projetivamente o seu próprio potencial.

Por isso, a separação da mãe é sempre um enorme rito de passagem na vida do canceriano, marcando definitivamente seu segundo nascimento e, talvez, o primeiro de sua real individualidade.

Mas enquanto não for feito, assim como Aquiles o fez e ganhou imortalidade ao morrer na batalha decisiva da Guerra de Tróia, o canceriano continua a buscar o útero do qual foi separado - mantendo-se impedido, dessa forma, de transcender essa busca e aproximar-se dos dons efetivos de criatividade que herdou do Pai Divino.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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