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HORÓSCOPO CAPRICÓRNIO - 22/12 à 20/01
O signo de capricórnio é regido por Saturno seu elemento é a terra, Capricórnio está bem qualificado para assumir responsabilidades, na comunidade ou na nação, mas pelo fato de ser o signo mais visível ou saliente (terra) ele deve aprender a ser cuidadoso e meticuloso no desempenho desses deveres.
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Horóscopo e os Orixás

 

 

 

 

 

Símbolo: A figura representa a cabra ou animal fabuloso, meio bode, meio delfim. Uma espécie de animal com o corpo de cabra e cauda de peixe. O "peixe-cabra" que abandona o Oceano primordial (meia-noite) e ascende a montanha (meio-dia).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mito de Capricórnio  Cabra Amaltéia

 

 

Capricórnio e o rito de iniciação

Depois de ter sido abatido e derrotado por seu filho Zeus, como vimos no mito sagitariano, Cronos foi aprisionado no Tártaro, região subterrânea muito abaixo do próprio Reino de Hades.

Algum tempo depois, quando Zeus já tinha consolidado seu poder, libertou o próprio pai e o enviou para a ilha dos bem-aventurados, nos confins do mundo, onde Cronos passou a reinar sobre os heróis, que nunca morriam. Era uma recuperação da Idade do Ouro na Terra, à qual Cronos parece estar ligado.

Essa fora uma época de fartura e abundância, como a mitologia romana registrou: no reino de Saturno, a Terra produzia com abundância, não havia guerras ou discórdias, e a escravidão e a propriedade eram desconhecidas, pois todos os homens tinham as coisas em comum. Saturno fora, assim, aquele que ensinou a paz, a justiça, a cultura da terra, a fraternidade e a liberdade, bem como a delegação responsável de poderes dentro da comunidade.

E exatamente por isso, na Roma antiga, comemoravam-se todos os anos, na segunda quinzena de dezembro, as Saturnais, festas nas quais havia total liberdade e todas as regras rígidas de moral e de convívio social eram abolidas; os escravos deixavam de sê-lo por alguns dias, as normas que regiam o convívio sexual eram abolidas, os horários relaxados e o trabalho deixava de ser cumprido. Ao fim das Saturnais, o jovem escolhido para reinar como rei Saturno era sacrificado no altar do deus - ou se sacrificava espontaneamente, em ato suicida -, como símbolo do fim da liberdade absoluta de entregar-se a todos os prazeres sem limite algum.
                                                         
Perséfone gritou, Deméter correu em seu auxilio, mas ao chegar ali nada encontrou nem soube do que havia ocorrido. Por nove dias e nove noites vagou com um archote, procurando-a, consumida de saudade. Voltando à mitologia grega, se Urano havia sido o princípio criador original, livre por natureza para estar em todos os lugares ao mesmo tempo, coube a Cronos o papel de Consolidador do já criado: sem sua atuação nada tomaria forma definitiva, discriminada e duradoura, tornando-se a vida um eterno e constante reinventar, sem que nada ficasse como resultado em momento algum. Daí seu aspecto limitador, rígido e punitivo junto aos que se insurgissem contra os dados da realidade material da vida. Foi preciso, porém, que Cronos fosse sacrificado pelo próprio filho para retomar, na ilha dos bem - aventurados,aventurados, papel semelhante, mas mais organizado e produtivo, ao de seu pai Urano, abolindo todas as regras e limites rígidos e instalando uma vida plena de liberdade para que seu reinado comunitário frutificasse.organizado e produtivo, ao de seu pai Urano, abolindo todas as regras e limites rígidos e instalando uma vida plena de liberdade para que seu reinado comunitário frutificasse.

A cabra, tanto na mitologia grega quanto na de outras culturas, como a teutônica, sempre foi símbolo de fertilidade e do amadurecimento dos grãos (que se dá no inverno, sob a superfície da Terra, preparando a primavera): a cornucópia, chifre do qual brotavam incessantemente todas as riquezas da natureza, segundo os gregos era um dos cornos da cabra Amaltéia, que amamentou Zeus no monte Ida. Ao mesmo tempo, a cabra era conhecida por sua voracidade em devorar tudo o que lhe caía pela frente, o que a aproximava da figura de Cronos. Assim, da mesma maneira que no mito taurino o boi aproximava Teseu, Minos e o Minotauro, a cabra aproxima e liga indissoluvelmente Cronos e Zeus, pai e filho. E isso nos dá a primeira pista para o núcleo mítico do capricorniano: a necessidade de incorporar em si a fecundidade do pai e ser sacrificado pelo próprio filho para que possa descobrir que ambos são, na verdade, um só; apenas assim se conseguirá concretizar e dar plenitude a um reino de fartura e liberdade.

Em termos psíquicos, a pessoa deste signo deverá incorporar em si a fecundidade do Self e superar os ditames do Ego para poder frutificar. E isso envolve sempre um ritual de iniciação, pois somente através do mais profundo dos mergulhos dentro de si mesmo é que tal façanha se torna possível. Desses mitos ainda podemos depreender alguns atributos do capricorniano, seja ele homem ou mulher, que aos poucos o preparam para a sua "descida aos infernos". A forte inclinação à luxúria e à lascívia, além da incrível fertilidade, é indício de seu gozo por prazeres sem limite - os mesmos proibidos pelo forte superego, voltado a "realizações", o que o coloca em um movimento duplo constante de entregar-se aos prazeres e se culpar por isso ao mesmo tempo.

Cronos havia recebido seu poder de Géia, assim como a foice com a qual castraria Urano (foice essa que reencontraremos na figura medieval do alfanje da Morte, que na seqüência das cartas do taro é a que precede o "renascimento"). Da mesma forma, o capricorniano recebe sua lição de poder ao conviver com uma mãe sequiosa de poder de realização - não necessariamente material. A criança capricorniana cresce numa casa na qual o pai é figura muito respeitada mas não se envolve com a estrutura familiar; então, todas as decisões importantes estão nas mãos da mãe, que aparece assim, aos olhos da criança, como todo-poderosa. Muito tradicional em suas atitudes, ela transmite ao filho a vontade de poder (para transformar e consolidar), a capacidade de liderança (entregando-lhe a ferramenta de conhecimento com a qual ele assumirá o controle algum dia) e o incita a desenvolver fortes práticas de controle. Então, ela é a transmissora das condições materiais necessárias para que seu filho concretize na Terra os desejos de seu pai. Urano, o Todo-Criador.

Uma versão mais moderna desse mesmo aspecto do mito é o de Maria, mãe de Jesus, responsável por dar ao Filho do Pai sua forma material, sem a qual o Pai nada poderia realizar na Terra; basta lembrar que o próprio filho, nesse mito central de nossa cultura, teve de sujeitar-se à cruz (antiquíssimo e multicultural símbolo da matéria), para que a obra do Pai tivesse sentido concreto. Entretanto, só depois de ter passado por seu ritual de iniciação, "preso no Tártaro", é que tem condições de realização concreta, razão pela qual são comuns na vida dos capricornianos prazos mais longos de amadurecimento pessoal.

Como convivem em seu núcleo duas figuras aparentemente opostas - os pólos da mesma relação - o puer e o senex (o "eterno jovem" e o "sempre ancião", donde "pueril" e "senil") - que nada mais são senão o Velho Rei e o Futuro Novo Rei ao mesmo tempo - costuma imperar na primeira metade da vida do capricorniano o foco narcíseo de irresponsabilidade, que será mais tarde drasticamente substituído pelo compromisso com a

realidade material e com a sensação de sucessão fatalmente temporal dos acontecimentos que domina. Também por isso, desde muito jovem o capricorniano tem "algo de velho" na sua aparência e comportamento, por mais jovial que o seja na verdade; e no futuro, mesmo quando idoso, mantém "algo de jovem".

Como diz Liz Greene, (1987) "Moralidade e culpa, lei e desrespeito às leis, parecem ser polaridades que compõem o capricorniano. O filho deverá enfrentar a punição paterna apenas para descobrir que o pai está dentro de si mesmo; e o pai, o Velho Rei, deverá enfrentar a rebelião do filho apenas para descobrir que é o seu próprio espírito jovial que está querendo se manifestar há muito tempo.

A iniciação do filho pelo pai é uma experiência interior que ( ... ) o capricorniano em geral não conhece na sua relação parental, motivo pelo qual ele a buscará dentro de si mesmo em um nível muito profundo". Joseph Campbell (1993) coloca a questão nos seguintes termos: "Quando a criança deixa o idílico paraíso dos seios maternos e encara o mundo exterior (adulto), ela está entrando, espiritualmente, na esfera paterna - que se torna, assim, para ela (seja menino ou menina), o indício das tarefas futuras. Saiba o pai ou não, e independentemente de sua posição social, o pai é o pastor iniciático através do qual o jovem adentra em um mundo mais amplo.

Esse é o rito de iniciação que cedo ou tarde o capricorniano atravessará, com a descoberta inicial do pai como perseguidor exigente da obediência às regras e condições do mundo, mais tarde, porém, transformada pela descoberta do pai misericordioso e imortal que carrega dentro de si mesmo.

Essa tarefa de autotransformação exigirá, todavia, um profundíssimo mergulho dentro de si mesmo.

O que nos leva ao décimo primeiro dos doze trabalhos de Hércules, a busca do cão Cérbero no Reino de Hades.

Assim como Perseu, Hércules não teria conseguido descer ao reino subterrâneo e de lá sair vitorioso não fosse a ajuda de Hermes e de Palas Atena, de quem recebeu coragem e inteligência, bem como a capacidade de andar nas trevas; além disso, Hércules se preparou inicialmente nos mistérios de Elêusis, para aprender como chegar em segurança à "outra vida" (e dela voltar) – em nossos dias, em termos psicológicos, vivendo uma profunda regressão uterina e renascendo, com o que se libertava em definitivo do "Paraíso uterínio materno".

Cérbero era um cachorro monstruoso, dotado de três cabeças, que guardava a entrada do Reino de Hades. Sua missão era dupla: impedir que os vivos lá entrassem e, se algum o conseguisse, impedi-lo de sair sem ordem de Hades. Hércules desceu ao reino subterrâneo e, antes de solicitar ordem ao próprio Hades para levar Cérbero à superfície, libertou vários dos prisioneiros ali encontrados entre eles, Teseu.

O Monarca das Almas concedeu sua permissão, então, desde que o Herói enfrentasse Cérbero e não o matasse nem o ferisse, munido de sua própria força e coragem, e protegido apenas com a pele do Leão da Neméia. Hércules enfrentou o monstro, sufocou-o até o desfalecimento e levou-o para o palácio de seu primo Euristeu. Lá chegando, não tendo o que fazer com o monstro e não podendo matá-lo, tornou a devolvê-lo ao Reino de Hades.Entretanto, tinha cumprido talvez o mais difícil dos seus trabalhos, a descida ao Reino da Morte, ou morte simbólica, necessária para a subida, ou escalada rumo ao autoconhecimento, rumo à transformação do que resta do homem velho no homem novo. Como explica o mitólogo Luc Benoist, "a viagem subterrânea, durante a qual os encontros com os monstros míticos configuram as provações de um processo iniciático, era, na realidade, um reconhecimento de si mesmo, uma "dissolução das cascas", de acordo com a gravada no pórtico do Templo de Delfos (consagrado a Apolo): "Conhece-te a ti mesmo". Era, para os gregos, o mais profundo e doloroso processo iniciático. Por isso, o motivo de "aprisionamento", "servidão" e até mesmo de "crucificação"- é tão comumente presente na vida do capricorniano - ao menos em sua vida interior e em seus sonhos e fantasias inconscientes, motivo pelo qual ele muitas vezes cria sua própria prisão, atraindo-a ou lançando-se para ela.

A busca do confronto com limites rígidos é sempre uma constante na vida do capricorniano, seja com o próprio superego, com uma figura exterior de autoridade ou ainda com um parceiro restritivo, para que se cumpra assim seu ritual e a entrada no mundo paterno da realidade material seja feita após o abandono do regaço materno. Só assim o jovem Rei Cronos derrotará o Velho Rei Urano, que ameaçava devorá-lo, para mais tarde libertar o mesmo Velho Rei e, graças a isso, instalar um reino de prosperidade, liberdade e abundância.

Agora, entretanto, tendo um contato mais pleno com o reino da matéria e seus limites de realidade, sobre o qual poderá exercer o imenso poder de liderança que herdou de sua mãe e a espiritualidade infinita que é herança de seu pai.
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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