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o seu Orixá regente
HORÓSCOPO PEIXES -
20/02 à 20/03
O signo de peixes é regido por Netuno etá ligado ao elemento
água, Grande sensibilidade e psiquismo,
sensível as nuances emocionais presentes nas outras pessoas, a tarefa na vida
dos nativos deste signo é de estarem totalmente comprometidos em
desenvolver conceitos humanitários.
Se você pertence a este Signo faça uma consulta de Ifa através do jogo de búzios
para saber qual é o seu Orixá de cabeça e receba o mapa
astrológico de seu signo ascendente.
Horóscopo e os Orixás
Símbolo: Seu símbolo
consiste em dois peixes unidos pôr uma tira delgada. Um dos
peixes representa a alma, o outro, a personalidade. O homem e o
cosmos se encontram aqui. Os semicírculos do consciente e do
inconsciente ligados pela terra.
Mito de Peixes Eros e
Afrodite
Peixes e a
"embriaguez" dionisíaca
O signo de Peixes é, com certeza, um dos mais ricos em
simbólica: o peixe, enquanto símbolo do alimento que surge das
profundezas da água, perpassa todas as culturas conhecidas como
digno representante da Grande Mãe, o mar, de onde toda a vida
nasceu...
Talvez por essa razão a primeira divindade grega do mar, antes
de os "patriarcas" assumirem o poder, era a titânide Tétis,
filha de Urano e Géia, representante do poder e da fecundidade
feminina do mar e "mãe de três mil rios e quarenta e uma
oceânides, personificações dos riachos, fontes e nascentes".
Possêidon era, na verdade, "senhor das águas subterrâneas",
tendo sido antes um deus do subterrâneo terrestre e causador de
terremotos.
Só aos poucos, à medida que a cultura grega foi se espalhando
para domínios marítimos, é que Possêidon passou a ser também o
"senhor dos mares".
Os templos da deusa fenícia Astargates (ou Astartéia) tinham
piscinas especiais onde peixes sagrados nadavam, pois, segundo
aquela cultura, dois peixes haviam "empurrado" - um ovo mágico
para a praia e dele nascera a deusa. Astargates tinha um filho
chamado Ichtys, que tinha a forma de um peixe, o qual na
Babilônia se tornou o deus-peixe Ea. E em uma versão grega da
história, Afrodite e seu filho Ares fugiram do monstro Tifão,
filho de Géia e do Tártaro, metamorfoseando-se em peixes.

O peixe representa, segundo Jung (1977) a "ambição, a
libidinosidade, a voracidade, a avareza e a lascívia - grosso
modo, os prazeres vãos da vida na Terra (voluptas terrena).
Mas eles são sempre apresentados como um par indissolúvel,
atados por uma corda pelos rabos, compondo assim um Ouroboros:
são o par mãe-filho (ou filha) ou o par vítima-redentor, pois
esses temas mitológicos todos nos contam de filhos que
"redimiram" a Grande Mãe, através de seu "re-nascimento". Então,
um desses peixes é a deusa da fertilidade e o outro é seu filho;
ela, a devoradora, destrutiva e lasciva, verdadeira
representante do mundo primordial do instinto; ele, o redentor,
Ichtys, o Cristo.
Talvez estejamos nos defrontando aqui com a imagem da vida
passageira mas sagrada da alma individual, nascida da Grande Mãe
mas pronta para retornar a ela, uma vez que está eternamente
ligada a ela. E talvez também por isso a criança pisciana nasça
em geral após um longo e difícil trabalho de parto, como que não
querendo nascer, e que todos temam por sua sobrevivência sem
seqüelas cerebrais ou orgânicas. Daí por diante, ela crescerá
extremamente preocupada com seu bem-estar físico e com a
saúde.(Afinal, o mito da Mãe e seu filho-amante, muitas vezes
morto precocemente para uma posterior ressurreição, está
presente também em várias culturas - no Egito antigo, por
exemplo, este par é representado por Ísis e Osíris, enquanto na
nossa temos o mito da morte precoce de Cristo na cruz-matéria
materna, seguida de ressurreição.)
Da mesma maneira, o tema do padrão duplo vítima-redentor é
extremamente encontradiço na vida dos piscianos - mesmo que seja
"apenas" porque sua mãe foi percebida na infância como uma
"eterna sofredora", "mártir da família", "eternamente preocupada
com tudo", e o pisciano absorveu essas atitudes, tal sua ligação
com a figura materna. Mas deve ser entendido que o padrão
completo é sempre estar envolvido em jogos de vítima-salvador,
quer o pisciano esteja atualizando este ou aquele pólo da
relação em cada momento de sua vida. Afinal, são ambos partes do
mesmo mitologema, portanto, inseparáveis.
Muitas dessas pessoas sofrem muito em sua vida. Se identificam
com o pólo "redentor", escolhem como companheiros de relação
(para quaisquer fins) indivíduos frustrados pela vida, feridos
pelas circunstâncias, doentes crônicos e de uma ou outra forma
"incapazes" de se socorrer: pessoas que estejam "à espera de
redenção", mas de quem as mantenha, na verdade, na posição de
vítima. Se identificam com o pólo de "mártir", estarão em busca
de quem as faça sofrer de modo físico, emocional ou espiritual,
única forma de atualizar o padrão duplo "vítima-redentor".
De qualquer forma, independentemente do "pólo" escolhido pelo
inconsciente, não há signo que se apresente tanto como
"sofredor" - até porque com toda a certeza aprendeu com sua mãe,
e a imita muito bem, a utilizar seu sofrimento como forma de
manipulação de outrem.
Entretanto, não há signo tão capaz de empatia legítima e
imediata como o de Peixes, bem como capaz de entregar-se
integralmente à licenciosidade e libertinagem ou ao uso abusivo
de chás, fumos, bebidas e drogas em geral. Porque uma figura
mitológica extremamente rica em episódios dessa natureza parece
residir no núcleo do mito deste signo: o deus grego Dioniso.
Dioniso era o deus da metamorfose, do êxtase e do entusiasmo. O
seu nascimento, ao contrário de outros deuses, foi
complicadíssimo - como o dos piscianos.
Filho de Zeus e Perséfone e o preferido pelo deus dos deuses,
Dioniso foi raptado, cozido e comido pelos titãs, sob mando de
Hera; ao saber disso, Zeus fulminou-os com um raio e entregou
seu jovem coração a Sêmele, uma princesa tebana, que o engoliu.
Assim, esta "engravidou" de Dioniso.
Hera, ao saber do ocorrido e tentando ainda eliminar o filho de
Zeus, incitou Sêmele a pedir a Zeus que aparecesse com toda a
sua pompa, com o que a princesa, simples mortal, não resistiu ao
fulgor divino e pereceu queimada; imediatamente Zeus retirou do
corpo de Sêmele o pequeno Dioniso e o colocou na sua própria
coxa, onde o feto permaneceu até o fim da gestação.
E após o nascimento, entregou-o a Hermes para que este o
escondesse da ira divina de Hera; e que, não satisfeita, Hera
continuou a perseguir Dioniso mesmo depois de adulto, por várias
vezes quase conseguindo fazê-lo desaparecer - num dos episódios,
Dioniso, é travestido de menina para escapar à ira de Hera.
Esta raiva de Hera é "compreensível": patrona dos casamentos,
ela era inimiga mortal do deus dos "desregramentos", Dioniso. A
tal ponto que as sacerdotisas desses dois deuses nem se
cumprimentavam nas ruas da Grécia.
Em segundo lugar, a gestação completada na coxa divina outorgara
a Dioniso uma ascendência que somente a paternidade de Zeus não
lhe daria.
E tendo tido "duas mães", além de partejado diretamente por
Zeus, Dioniso conheceu o "úmido" e o "ígneo" antes mesmo de
nascer, tornando-se, por isso, andrógino por excelência.
Levando muito tempo para ser aceito nas cidades gregas, por ser
natural dos campos, Dioniso presidia ritos de êxtase religioso
que prescindiam de qualquer ritual temporal de poder.
Em outras palavras, seus ritos permitiam a experiência religiosa
"pura", independentemente do culto realizado ou do deus
cultuado. Por isso, constituía uma ameaça à estrutura
hierarquicamente rígida dos deuses olímpicos, base de boa parte
do poder político da época.
"Dioniso devia provocar resistência e perseguição, pois a
experiência religiosa que suscitava punha em risco todo um
estilo de vida e um universo de valores". Tratava-se, sem
dúvida, da supremacia ameaçada da religião olímpica e de suas
instituições. Mas a oposição denunciava um drama, ainda mais
intimo, e que aliás está abundantemente atestado na história das
religiões: resistência contra toda gerência religiosa absoluta,
que só pode ser efetuada negando-se o resto (seja qual for o
nome que se lhe dê: equilíbrio, personalidade, consciência,
razão etc.) Como diz Mircea Eliade (1978).
Essa "experiência religiosa absoluta, obtida em momentos de
êxtase nos quais a personalidade consciente é rebaixada até que
o Todo entre em contato com o Ser individual, em estados
diferenciados de consciência, é o que dá a pista para a
irresistível inclinação ao uso de bebidas e drogas ou outros
artifícios por aqueles que têm essa necessidade de "ter uma
participação mística" que, ou sensação de união instintiva e
espiritual ao mesmo tempo com a Vida, mas não conhecem outros
caminhos que não os da intoxicação química e do desmembramento
do corpo (tal qual a que o deus também sofreu).
Para Mircea Eliade (1978).
"a embriaguez, o erotismo, a fertilidade universal, mas também
as experiências inesquecíveis provocadas pela chegada periódica
dos mortos, ou pela mania, pela imersão no inconsciente animal
ou pelo êxtase do entusiasmos - todos esses terrores e
revelações surgem de uma única fonte: a presença do deus. O seu
modo de ser exprime a unidade paradoxal da vida e da morte".
De qualquer forma, o culto dionisíaco simbolizava a emersão para
a consciência das forças obscuras que povoam o inconsciente,
através da bebida, das drogas, da música, do canto, da dança e
da loucura.
Ou, como diz Junito Brandão (1986), "Dioniso retrata as forças
de dissolução da personalidade: a regressão às forças caóticas e
primordiais da vida, provocadas pela orgia é a submersão da
consciência no magma do inconsciente". Pela mesma razão, Dioniso
era ao mesmo tempo um deus extremamente cruel. Certa vez, ao
retornar à terra natal de sua mãe, a ilha de Tebas, Dioniso foi
preso pelo rei Penteus ("aquele que sofre", em grego), dada sua
aparência dissoluta e desregrada. O deus não se fez de rogado:
enlouqueceu o rei e fê-lo ser morto por suas companheiras
divinas. O deus demonstrava crueldade apenas análoga à de Kali,
que encontramos bem atrás, punindo com o desmembramento, a
loucura.
E a insanidade (que é "morte", para a psique) quem não o
idolatrava. Seus ritos, além de envolver danças, bebedeiras e
orgias sexuais, davam-se também com o desmembramento de animais,
dos quais se bebia o sangue e comia-se a carne como se fossem do
deus... Isso pode nos explicar por que tantas vezes, por trás do
pisciano redentor ou sofredor, se esconde uma fera sedenta de
sangue e destruição daqueles que não o cultuam - como se
transformou, aliás, a própria Igreja Católica, depositaria do
Peixe-Cristo em nossa época e oferente de seu sangue e de sua
carne.
Parece que este dilema - viver uma efetiva espiritualidade ou
entregar-se a rituais orgíacos destrutivos - está presente na
psique profunda do pisciano; que, assim, só tem como caminho o
refúgio na intelectualidade compulsiva, negando sua
emocionalidade e facilidade empática por não saber como lidar de
maneira adequada com tais impulsos aparentemente contraditórios
- que então se tornam mais autônomos ainda e ameaçam a qualquer
momento irromper e "lavar" a consciência egóica. Mas a redenção
das paixões selvagens é a tarefa do filho, o Redentor; as
paixões são elas mesmas a Mãe (e talvez por isso ela fosse tão
constantemente preocupada com tudo, como se verifica na vida do
pisciano, ao viver projetivamente as ameaças constantes que
carrega em seu próprio inconsciente e que seu filho herdou).
Para o pisciano, tanto o horror que ele vive interiormente
quanto a aspiração por uma vida junto ao deus derivam do mesmo
mar, o mar do inconsciente coletivo.
De onde brota, inclusive, sua incrível sensibilidade artística e
empática "permeabilidade" ao estado emocional de outrem (aquilo
que alguns chamariam de mediunidade ou fusionalidade). Por isso
a necessidade, maior ainda no pisciano, de resolver o delicado
equilíbrio entre seus fortes sentimentos pessoais e a
necessidade sentida de participar ativamente dos sentimentos do
grupo ou do coletivo.
Porque se o corpo sufoca o espírito, quando a ele se sobrepõe,
certamente o espírito desmembra o corpo que a ele se opõe. Dai
os dísticos no portal de Delfos: "Nada em excesso" e "Conhece-te
a ti mesmo". A despeito das possibilidades divinas existentes no
ritual dionisíaco, a despeito das potencialialiades da alma
humana pisciana, a despeito das possibilidades da alma humana em
geral, pois "muito profundo é o seu logos", este equilíbrio tem
de ser atingido - sob pena de comprometer a obra inteira.
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