Esse orixá vem sendo erroneamente associado
à dualidade sexual. Muitos estudiosos no assunto afirmam que
Logun vive seis meses como homem, igual ao seu pai Odé, e,
nos outros seis meses, transforma-se numa mulher, como sua
mãe Oxun.
Logun é um orixá soberano e não passa por
transformações sexuais. Isso acontece, com freqüência, aqui
na Terra, com os seres humanos. Os orixás estão anos-luz
adiante dessas questões.
Na verdade, esse orixá tem livre acesso aos
dois reinados, adquirindo o conhecimento de ambos. Consegue
adaptar-se, com facilidade, aos mais diversos ambientes,
agindo e comportando-se de diferentes formas, dependendo da
situação.
Ele herdou, também, muitas das características de
seus pais, como a habilidade de caçar e conseguir fortuna, o
encanto e a beleza, bem como um grande conhecimento de
feitiçaria, como sua mãe. Além desses atributos, é, também,
responsável pela fertilização das terras, através da
irrigação, contribuindo, assim, com a agricultura.
Esse orixá possui muita riqueza e
sabedoria, não admitindo a imperfeição em suas oferendas e
rituais. Tem aparência doce e calma, mas, quando
contrariado, torna-se muito enfurecido.
Uma outra característica de Logun é a de
importar-se com o sofrimento dos outros, distribuindo
riquezas e caças para os que não têm.
Suas ferramentas são o abebe e o ofá. Seu símbolo
é uma balança, representando o equilíbrio.
Esse deus, segundo se conta na
África,
tem aversão por roupas vermelhas ou marrons. Nenhum dos seus
adeptos ousaria utilizar
essas cores no seu vestuário. O azul-turquesa entretanto
parece ter sua aprovação.
LENDA DE LOGUN
No início dos tempos, cada orixá dominava
um elemento da natureza, não permitindo que nada, nem
ninguém, o invadisse. Guardavam sua sabedoria como a um
tesouro.
É nesse contexto que vivia a mãe das
água doces, Oxun, e o grande caçador Odé. Esses dois orixás
constantemente discutiam sobre os limites de seus
respectivos reinados, que eram muito próximos.
Odé ficava extremamente irritado
quando o volume das águas aumentavam e transbordavam de seus
recipientes naturais, fazendo alagar toda a floresta. Oxun
argumentava, junto a ele, que sua água era necessária à
irrigação e fertilização da terra, missão que recebera de
Olorun. Odé não lhe dava ouvidos, dizendo que sua caça iria
desaparecer com a inundação.
Olorun resolveu intervir nessa
guerra, separando bruscamente esses reinados, para tentar
apaziguá-los.
A floresta de Odé logo começou a sentir os
efeitos da ausência das águas. A vegetação, que era
exuberante, começou a secar, pois a terra não era mais
fértil. Os animais não conseguiam encontrar comida e faltava
água para beber. A mata estava morrendo e as caças
tornavam-se cada vez mais raras. Odé não se desesperou,
achando que poderia encontrar alimento em outro lugar.
Oxun, por sua vez, sentia-se muito só, sem
a companhia das plantas e dos animais da floresta, mas
também não se abalava, pois ainda podia contar com a
companhia de seus filhos peixes para confortá-la.
Odé andou pelas matas e florestas da Terra,
mas não conseguia encontrar caça em lugar algum. Em todos os
lugares encontrava o mesmo cenário desolador. A floresta
estava morrendo e ele não podia fazer nada.
Desesperado, foi até Olorun pedir
ajuda para salvar seu reinado, que estava definhando. O
maior sábio de todos explicou-lhe que a falta d’água estava
matando a floresta, mas não poderia ajudá-lo, pois o que fez
foi necessário para acabar com a guerra. A única salvação
era a reconciliação.
Odé, então, colocou seu orgulho de
lado e foi procurar Oxun, propondo a ela uma trégua. Como
era de costume, ela não aceitou a proposta na primeira
tentativa. Oxun queria que Odé se desculpasse, reconhecendo
suas qualidades. Ele, então, compreendeu que seus reinos não
poderiam sobreviver separados, unindo-se novamente, com a
benção de Olorun.
Dessa união nasceu um novo orixá, um
orixá príncipe, Logun-Edé, que iria consolidar esse
"casamento", bem como abrandar os ímpetos de seus pais.
Logun sempre ficou entre os dois, fixando-se nas margens das
águas, onde havia uma vegetação abundante. Sua intervenção
era importante para evitar as cheias, bem como a estiagem
prolongada. Ele procurava manter o equilíbrio da natureza,
agindo sempre da melhor maneira para estabelecer a paz e a
fertilidade.
Orin / Oriki
Olóode pa eron olóodò è pejá
Senhor da caça, senhor do rio e pescador
De Òsun
sua mãe traz o lado belo voluntarioso, vaidoso. Pois Òsun
lança mão de seu dom sedutor para satisfazer a ambição de
ser a mais rica e a mais reverenciada , deusa da
fertilidade, na Nigéria é dela o rio que leva o seu nome e
no Brasil dela são as águas doces dos lagos fontes e rios.
Água que mata a sede dos humanos e da terra, que assim se
torna fecunda e fornece os alimentos essenciais à vida.
Òsun menina dengosa,
passando pela mulher irresistível até a senhora protetora, Òsun
é sempre dona de uma personalidade forte, que não aceita ser
relegada a segundo plano, afirmando-se em todas
circunstâncias da vida. Com seus atributos, ela dribla os
obstáculos para satisfazer seus desejos.
De Ibualamo seu
pai Herdou o dom da caça pois , Ibualamo é da família dos
odés (caçadores) e seu símbolo o bilála ,oguè e ofá.
Ibualamo é a representação do desenvolvimento do homem
conhece os segredos da caça, também símbolo de prosperidade
e formação de comunidades.
Ibualamo busca o alimento com
coragem e é considerado o guerreiro das matas, é corajoso,
viril e Logun-odé tem estas características, é um Òrìsà
guerreiro, mas a sua característica guerreira é própria, mas
não o de guerra no sentido físico da palavra e sim a da luta
pela conservação da criação.
Conta um antigo itan
que todos os Òrìsà estavam reunidos em uma aldeia, e de
repente passa a chover muito e a terra começa a afundar
causando grande pânico. Todos tentam fazê-la subir novamente
mas , ninguém consegue, por último aquele jovem caçador é
chamado e usando um poder que herdou da mãe Òsun,
logun-odé entoa o Oriki:
"AWO NBE O, AWO
NBE O....ARA NBE O, ARA NBE O"
Eis o iniciado, o forte, eis o misterioso,
aqui se fez o milagre
Tocando o
chão com sua espada e seu bastão, e a terra começa a subir
novamente até voltar a sua posição normal, a partir de
então, ele passou a ser reconhecido como um grande guerreiro
osiwaju Líder entre os Orixás.
CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE LOGUN-EDÉ
São pessoas de extremo charme e carisma, possuindo muitos
amigos e admiradores.
Sentem imensa compaixão pelas pessoas que sofrem, sempre
tentando ajudá-las.
A sinceridade é a sua maior virtude, porém irrita-se com
muita facilidade. Basta ser contrariado e sua fúria aparece,
muitas vezes perdendo o controle de suas ações, custando
muito a acalmar-se.
São perfeccionistas, querendo tudo ao seu modo. Não admitem
erros por parte de outras pessoas.
Agem por impulso, aproveitando ao máximo tudo o que a vida
lhe oferece.
São muito curiosos e espertos. Geralmente, quando crianças,
adoram desmontar seus brinquedos para ver como são feitos.
Na fase adulta, têm o dom de captar o íntimo das pessoas.
Os filhos de Logun têm muito interesse em aprender e viver
novas experiências.
Assim como o orixá, adaptam-se a todo tipo de ambiente e
sabem como agir em cada situação.
Têm uma característica curiosa, que é a de estar sempre
machucando as extremidades das mãos, pés e cabeça.
Dia da semana: quinta-feira e
sábado.
Cores: azul turquesa e amarelo
ouro.
Domínios: margens dos rios,
várzeas, cachoeiras, cursos de água, florestas e matas.
Oferendas: papa de milho com
coco, milho cozido com feijão fradinho, ipeté, papa de coco,
etc.