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Eèpàà Bàbá,
Òrìsànlá, Òrìsà òkè nínu won gbogbo Òrìsà ! Eèpàà
Bàbá
( Respeitos ao Pai
, O grande Orixá , o Orixá mais alto dentre todos os Orixás
! Respeitos ao Pai )
OXALUFAN
Oxalá, Orixalá ou Oxalufan é a
primeira forma de orixá que foi criada por Olorun, no início
dos tempos, sendo associado ao ar, que existia antes da criação
da Terra, e também à água do início da existência.
Oxalufan está ligado à cor branca, ou incolor, sendo o
primeiro na hierarquia dos fun-fun (os que vestem branco).
Detém o axé da criação de todos os seres da Terra,
representando a fertilidade masculina.
Está ligado à gênese do universo e foi o primeiro orixá
criado por Olorun. Representa a maturidade, a sabedoria e o
equilíbrio. Veste-se inteiramente de branco, sendo responsável
pela manutenção da paz e da tranqüilidade entre os seres
criados. Na mitologia africana, é considerado o pai de todos
os orixás e de todos os seres vivos, sendo, por esse motivo,
constantemente reverenciado em festas públicas e diversos
rituais.
Está sempre presente nas antigas lendas, representando a
figura veneranda de um pai. Sua posição é muito destacada,
tendo o respeito de todos os orixás, que se curvam à sua
presença.
Oxalufan, com seu cajado ou opaxoro, separou a Terra e o céu,
que, no início dos tempos, estavam no mesmo nível de existência.
Os três pratos, que fazem parte do cajado, simbolizam a sua
supremacia sobre os mundos dos seres humanos, dos eguns
(paralelo) e dos orixás. O pássaro, que está pousado na
ponta do opaxoro, é um mensageiro que faz a ligação entre
esses mundos. Com esses pratos, Oxalá carrega e distribui o
alimento sagrado para todos os seres humanos e encantados. Os
pingentes, que estão presos a eles, simbolizam os presentes
que lhe eram ofertados nos diferentes lugares por onde passou
em suas caminhadas pelo mundo. Esse orixá, assim como Nanan,
é bem-vindo em todos os reinados.
O raciocínio é a grande contribuição desse orixá para os
seres humanos, diferenciando-o, assim, dos animais. Todos os
orixás que vestem branco, ou fun-funs (mesmo Ogun ou Oyá),
herdaram esse dom de Oxalá de uma forma mais intensa, e o
transferiram para seus filhos na Terra, que, por esse motivo,
possuirão um pensamento engendrado e a constante reflexão
sobre todos os aspectos da sua existência.
O alá é um outro símbolo de Oxalufan, que consiste num pano
branco usado para protegê-lo do calor, bem como abrigar, sob
sua proteção, todos os seres criados. Serve também para
representar a separação entre a Terra e o céu.
Muitas vezes, esse orixá é apresentado como um velho, todo
curvado e retorcido precisando ser amparado por ekédes e
ogans, por não poder andar. O fato de Oxalufan ser o orixá
mais antigo não justifica essa postura, pois a idade cronológica.
Se consultarmos a mitologia africana, veremos que Oxalá
empreendeu grandes caminhadas pelo mundo e, como soberano que
era, não se curvava a ninguém (com raras exceções, como
foi mostrado na lenda de Oxun).
As pessoas que nascem com defeitos físicos e mentais, ou os
adquirem antes dos nove anos, serão protegidos por Oxalá,
pois houve algum erro na formação desses seres.
Podemos pedir a misericórdia desse orixá nos casos acima e
para salvar pessoas com doenças graves e casos terminais.
A teimosia e obstinação são a marca de Oxalufan, o que lhe
traz a possibilidade de grandes feitos ou muitos dessabores.
OXANGUIAN
Este orixá, também carrega as cores azul e vermelha, além
do branco. Isso deve-se ao fato de possuir uma grande ligação
com o orixá Ogun. Todo iniciado na cultura desse orixá, além
do seu assentamento, deve ter também um assentamento para
Ogun.
Oxanguian é o único orixá fun-fun que guerreia, usando para
isso uma espada e um escudo que recebeu de Ogun. Além do
raciocínio, esse orixá usa o artifício da guerra em
determinados momentos. Essa guerra não deve ser interpretada
ao pé da letra, mas, sim, num sentido mais abrangente, como,
por exemplo, na luta pela sobrevivência.
Foi um grande estrategista, não entrando numa guerra sem
antes pensar muito bem nos prós e nos contras, a fim de não
pôr em risco seus exércitos. Evitava ao máximo o confronto,
tentando sempre resolver os problemas de outra maneira; mas,
se os argumentos não adiantavam, entrava na guerra lutando até
o final, custasse o que custasse. Para ele, era tudo ou nada.
Este orixá, também carrega as cores azul e vermelha, além
do branco. Isso deve-se ao fato de possuir uma grande ligação
com o orixá Ogun. Todo iniciado na cultura desse orixá, além
do seu assentamento, deve ter também um assentamento para
Ogun.
Oxanguian é o único orixá fun-fun que guerreia, usando para
isso uma espada e um escudo que recebeu de Ogun. Além do
raciocínio, esse orixá usa o artifício da guerra em
determinados momentos. Essa guerra não deve ser interpretada
ao pé da letra, mas, sim, num sentido mais abrangente, como,
por exemplo, na luta pela sobrevivência.
Foi um grande estrategista, não entrando numa guerra sem
antes pensar muito bem nos prós e nos contras, a fim de não
pôr em risco seus exércitos. Evitava ao máximo o confronto,
tentando sempre resolver os problemas de outra maneira; mas,
se os argumentos não adiantavam, entrava na guerra lutando até
o final, custasse o que custasse. Para ele, era tudo ou nada.
Um símbolo característico da indumentária desse orixá é o
pilão, com o qual amassa o inhame, sua comida preferida.
Existem algumas festividades que homenageiam essa qualidade de
orixá, dentro do ciclo das águas de Oxalá, com o nome de
Pilão de Oxanguian.
É o orixá da fartura, da riqueza e do raciocínio pleno.
Assim como os outros orixás fun-fun, seus elementos são a água
e a terra, e seu metal é a prata.
CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OXALUFAN
Os filhos de Oxalá são pessoas muito tranqüilas, com tendência
à calma, inclusive nos momentos mais difíceis.
São amáveis e prestativos, mas nunca subservientes, pois não
se rebaixam a ninguém.
Sabem argumentar muito bem, convencendo qualquer pessoa de
suas intenções.
Adoram limpeza e organização, sendo perfeccionistas em tudo
que fazem, às vezes chegando ao exagero. Exigem, com veemência,
a mesma postura das pessoas que o cercam.
Geralmente essas pessoas aparentam mais idade do que realmente
têm, devido ao seu amadurecimento precoce.
Usam o raciocínio para resolver seus problemas, sendo esse o
seu ponto forte, por isso, não são dados a explosões
emocionais.
Não gostam de mudanças, preferindo a rotina de uma vida
tranqüila do que uma aventura sem garantias. São lentos em
suas decisões, pensando muito antes de agirem. Mas, quando
tomam uma decisão, são persistentes e perseverantes.
São muito reservados em seus sentimentos e raramente
orgulhosos.
Sendo geralmente comunicativos e carismáticos, atraem muitos
admiradores e amigos, que se sentem protegidos ao seu lado.
Gostam de canalizar tudo em volta de si, como um grande pai.
Dificilmente, um filho de Oxalá deixa sem auxílio uma pessoa
conhecida. Nessas atitudes de solidariedade, eles assumem
alguns riscos, e, não raras vezes, acabam prejudicados.
Confiam demasiadamente nas pessoas, sempre vendo seu lado
positivo, por isso correm um sério risco de serem enganados.
Seu maior defeito é a teimosia, principalmente quando têm
certeza de suas convicções.
Adoram assuntos polêmicos, expondo seus pontos de vista a
quem quer que seja.
Um outro aspecto negativo na personalidade dessas pessoas é
fugir de determinados problemas, deixando as coisas chegarem a
um limite insuportável.
Todos os filhos de Oxalá apresentam um porte majestoso ou, no
mínimo, digno.
CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OXANGUIAN
Os filhos de Oxanguian, ao contrário de Oxalufan, são muito
nervosos, chegando ao extremo da irritação, mesmo sem ser
provocados. Isso geralmente acontece quando sua própria vida
não anda bem.
São inquietos e arredios.
Emocionalmente, são muito inocentes e facilmente manipulados
pelo sexo oposto. Precisam de companheiras que lhes digam o
que fazer em determinadas situações da vida.
São muito dependentes e carentes, exigindo muita atenção.
O semblante dos filhos de Oxanguian é muito jovem,
dificilmente lhe revelando a idade. Quando estão felizes, são
alegres e divertidos, procurando agradar a todos que o cercam.
Não são nada reservados, contando fatos de sua vida e, até
mesmo, algumas intimidades, para qualquer pessoa.
Os filhos de Oxanguian têm muita sorte, pois dificilmente
alguém não lhes estende a mão quando estão necessitados.
Geralmente, possuem muita fortuna e sabem o que fazer para
conquistá-la.
Adoram pensar e refletir bastante, antes de se arriscarem em
alguma nova experiência. São excelentes estrategistas.
Para eles não existe meio termo, embora seu Odú, ou presságio
de Ifá ( Ejonile), represente o equilíbrio e esteja
exatamente no meio dos dezesseis.
LENDA DE OXALUFAN (A CRIAÇÃO DA TERRA)
Olorun, Deus supremo, criou um ser, a partir do ar (que havia
no início dos tempos) e das primeiras águas. Esse ser
encantado, que era todo branco e muito poderoso, foi chamado
Oxalá. Logo em seguida, criou um outro orixá que possuía o
mesmo poder do primeiro, dando-lhe o nome de Nanan. Os dois
nasceram da vontade de Olorun de criar o universo.
Oxalá passou a representar a essência masculina de todos os
seres, tornando-se o lado direito de Olorun. Nanan, por sua
vez, teria a essência feminina, e representaria o lado
esquerdo. Outros orixás também foram criados, formando-se um
verdadeiro exército a serviço de Olorun, cada um com uma função
determinada para executar os planos divinos.
Exú foi o terceiro elemento criado, para ser o elo de ligação
entre todos os orixás, e deles com Olorun. Tornou-se costume
prestar-lhe homenagens antes de qualquer outro, pois é ele
quem leva as mensagens e carrega os ebós.
Olorun confiou à Oxalá a missão de criar a Terra,
investindo-o de toda a sabedoria e poderes necessários para o
sucesso dessa importante tarefa. Deu a ele uma cabaça
contendo todo axé que seria utilizado.
Oxalá, orgulhoso por ter recebido tamanha honraria, achou
desnecessário fazer as oferendas a Exú.
Exú, vendo que Oxalá partira sem lhe fazer as oferendas,
previu que a missão não seria cumprida, pois, mesmo com a
cabaça e toda a força do mundo, sem a sua ajuda não
conseguiria chegar ao local indicado por Olorun.
A caminhada era longa e difícil, e Oxalá começou a sentir
sede, mas, devido à importância de sua missão, não podia
se dar ao luxo de parar para beber água. Não aceitou nada do
que lhe foi oferecido, nem mesmo quando passou perto de um rio
interrompeu a sua jornada. Mais à frente, encontrou uma
aldeia, onde lhe ofereceram leite de cabra para saciar sua
sede, que também foi recusado.
Todos os caminhos pareciam iguais e, depois de andar por muito
tempo, sentiu-se perdido. De repente, ele avistou uma palmeira
muito frondosa, logo à sua frente, Oxalá, já delirando de
tanta sede, atingiu o tronco da palmeira com seu cajado,
sorvendo todo o líquido que saía de suas entranhas (era
vinho de palma). Embriagado pela bebida, desmaiou ali mesmo,
ficando desacordado por muito tempo.
Exú avisou Nanan que Oxalá não havia feito as oferendas
propiciatórias, por isso não terminaria sua tarefa. Ela,
agindo por contra própria, resolveu consultar um babalawô
para realizar devidamente as oferendas. O sacerdote enumerou
uma série de coisas que ela deveria oferecer, entre elas um
camaleão, uma pomba, uma galinha com cinco dedos e uma
corrente com nove elos. Exú aceitou tudo, mas só ficou com a
corrente, devolvendo o restante à Nanan, pois ela iria
precisar mais tarde. Outros sacrifícios foram realizados, até
que Olorun a chamou para procurar Oxalá, que havia esquecido
o saco da criação com o qual criaria a Terra. Nanan, após
terminar suas oferendas, foi atrás de Oxalá, encontrando-o
desacordado próximo ao local onde deveria chegar.
Ao saber que Oxalá havia falhado em sua missão, Olorun
ordenou que a própria Nanan prosseguisse naquela tarefa com a
ajuda de todos os orixás. E assim foi feito. Nanan pegou o
saco da criação e o entregou à pomba, para que voasse em círculo.
A galinha com cinco dedos foi solta, para espalhar aquela
imensa quantidade de terra, e, finalmente, o camaleão
arrastou-se vagarosamente, para compactá-la e torná-la
firme.
Quando Oxalá acordou, viu que a Terra já havia sido criada,
e não o fora por ele. Desesperado, correu até Olorun, que o
advertiu duramente por não ter reverenciado Exú antes de
partir, julgando-se superior a ele. Oxalá, arrependido,
implorou perdão. Olorun, sempre magnânimo, deu-lhe uma nova
e importantíssima tarefa, que seria a de criar todos os seres
que habitariam a Terra. Desta vez ele não poderia falhar!
Usando a mesma lama que criou a Terra, Oxalá modelou todos os
seres, e, insuflando-lhes seu hálito sagrado, deu-lhes a
vida.
Desta forma, Nanan e Oxalá desempenharam tarefas igualmente
importantes, juntamente com a valiosa ajuda de todos os orixás,
que possibilitaram o surgimento deste novo e maravilho mundo
em que vivemos. |