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Òsonyín Ewé ó ! Ewé àsà
!
( Oh, as folhas
! A folha é a tradição ! )
É o orixá guardião de todos os segredos das
folhas, raízes e cascas.
Ossaniyn ou Ossain (como se escreve habitualmente) é o deus das
ervas. Comanda as folhas, as medicinais, as litúrgicas, é o mestre
do mato. Sem ele nenhuma cerimônia é possível. Usa pilão, veste
verde, sua ferramenta tem sete pontas, uma das quais no centro com
um pássaro no alto. Bode e galo são suas comidas prediletas; sua
saudação: Ewê ô! muitas vêzes é representado com uma única
perna. Trata-se de um dos Orixás mais importantes.
Sua atuação é fundamental para a realização das cerimônias e
rituais do Candomblé. Através das rezas apropriadas, esse orixá
consegue despertar o poder das folhas, que são detentoras de um
poderoso axé.
Cada divindade tem as suas ervas e folhas particulares, mas só Òsányìn
conhece profundamente o poder ou axé das folhas.
O poder de Òsányìn está num pássaro que é o seu mensageiro.
Este pássaro voa por toda parte do mundo e pousa em cima da cabeça
de Òsányìn para lhe contar todos os acontecimentos. Este pássaro
é um simbolismo bastante conhecido das feiticeiras freqüentemente
chamadas de elewú-eiyé, ou seja, "proprietárias do pássaro-poder".
Òsányìn vive na floresta em companhia de àroni, um anãozinho de
uma perna só que fuma um cachimbo feito de casca de caracol enfiado
num talo oco cheio de suas folhas favoritas.A sua importância é
fundamental, pois nenhuma cerimônia pode ser feita sem a sua presença,
sendo ele o detentor do axé - o poder - imprescindível até mesmo
aos próprios deuses.
As folhas nascidas das árvores e as plantas constituem uma emanação
direta do poder sobrenatural da terra fertilizada pela chuva (água-sêmem)
e, com esse poder, a ação das folhas podem ser múltiplos, para
diversos fins.
(Do livro "Lendas Africanas dos Orixás de Pierre Fatumbi
Verger e Carybé - Editora Currupio)
OSSAIN, O SENHOR DAS FOLHAS
Ossain recebera de Olodumaré o segredo das folhas.
Ele sabia que algumas delas traziam a calma ou o vigor.
Outras, a sorte, a glória, as honras ou ainda, a miséria, as doenças
e os acidente.
Os outros orixás não tinham poder sobre nenhuma planta.
Eles dependiam de Ossain para manter sua saúde ou para o sucesso de
suas iniciativas.
Xangô, cujo temperamento é impaciente, guerreiro e impetuoso,
irritado por esta desvantagem, usou de um ardil para tentar usurpar
a Ossain a propriedade das folhas.
Falou dos planos à sua esposa Iansã, a senhora dos ventos.
Explicou-lhe que, em certos dias, Ossain pendurava, num galho de
Iroko, uma cabaça contendo suas folhas mais poderosas.
"Desencadeie uma tempestade bem forte num desses dias",
disse-lhe Xangô.
Iansã aceitou a missão com muito gosto.
O vento soprou a grandes rajadas, levando o telhado das casas,
arrancando árvores, quebrando tudo por onde passava e, o fim
desejado, soltando a cabaça do galho onde estava pendurada.
A cabaça rolou para longe e todas as folhas voaram.
Os orixás se apoderaram de todas.
Cada um tornou-se dono de algumas delas, mas Ossain permaneceu
senhor do segredo de suas virtudes e das palavras que devem ser
pronunciadas para provocar sua ação.
E, assim, continuou a reinar sobre as plantas como senhor absoluto.
Graças ao poder (axé) que possui sobre elas.
Ossain era o único orixá que sabia reconhecer e despertar os
poderes mágicos das plantas e usá-los para curar as enfermidades,
ou nos rituais litúrgicos. Ele sabia, como ninguém, fazer misturas
mágicas com os vegetais, raízes e folhas.
Os outros orixás também tinham o desejo de possuir suas próprias
folhas, bem como o conhecimento necessário para receber o axé
proveniente delas, mas Ossain não revelava seus segredos e não
deixava ninguém apanhar folhas em suas florestas.
Oyá (Yassan) não aceitava essa situação, pois sua aldeia estava
sendo assolada por doenças, e nada podia ser feito. Foi, então,
que ela pediu a Ossain que lhe desse algumas folhas e seus
respectivos encantamentos, mas este negou-se a fazê-lo. Oyá ficou
muito contrariada, não se conformando com uma atitude tão insensível.
Sua fúria incontrolável fez levantar o vento. E o vento foi tão
forte, que as folhas se desprenderam das árvores, voando para todos
os cantos da floresta. Ossain gritava: "Minhas folhas, minhas
folhas". A cabaça com os segredos ficou exposta por algum
tempo, possibilitando aos orixás a oportunidade de absorver uma
pequena parte desse conhecimento. Assim, os orixás cataram suas
folhas, que seriam utilizadas em seus rituais sagrados; porém, não
podiam dispensar a ajuda de Ossain, pois ele sempre será o grande sábio
da floresta.
Outra lenda nos conta que Ossain trabalhava na roça de Orunmilá,
que é um orixá fun-fun (da cor branca) e detentor do conhecimento
do oráculo divinatório. Ossain tinha a tarefa de cultivar os
campos, mas recusava-se a limpar o terreno para fazer a semeadura.
Ele não conseguia podar as plantas, pois achava utilidade em todas
elas. Essas folhas podiam curar todo tipo de doença existente.
Orunmilá, vendo que o serviço não saía, foi ver o que estava
acontecendo.
Ossain explicou seus motivos, fazendo com que o grande orixá
fun-fun percebesse estar diante de um ser encantado e de grande
conhecimento. Ao invés de castigá-lo, deu-lhe uma posição de
destaque dentro do oráculo de Ifá. Dessa forma, Orunmilá teria,
perto de si, alguém para lhe revelar os segredos das folhas.
Uma lenda explica a divisão das suas folhas com os outros orixás:
"Ossain havia recebido de Olodumaré o segredo das ervas. Estas
eram de sua propriedade e ele não as dava a ninguém, até o dia em
que Xangô se queixou à sua mulher, Oyá , senhora dos ventos, de
que somente Ossain conhecia o segredo de cada uma dessas folhas e
que os outros orixás estavam no mundo sem possuir nenhuma planta.
Oyá levantou as saias e agitou-as impetuosamente. Um vento violento
começou a soprar.
Ossain guardava o segredo das ervas numa cabaça pendurada num galho
de árvore. Quando viu o que vento havia soltado a cabaça, e , que
esta tinha se quebrado ao bater no chão, ele gritou 'Ewé O! Ewé
O!' - 'Oh! As folhas! Oh! As folhas! -, mas não pode impedir que os
orixás as pegassem e as repartissem entre si.

CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE OSSAIN
São pessoas de caráter equilibrado, capazes de controlar seus
sentimentos e emoções. Daquelas que não deixam suas simpatias e
antipatias intervirem nas suas decisões ou influenciarem as suas
opiniões sobre pessoas e acontecimentos. É o arquétipo dos
indivíduos cuja extraordinária reserva de energia criadora e
resistência passiva ajuda-os a atingir os objetivos que fixaram.
Daqueles que não têm uma concepção estrita e um sentido convencional
de moral e da justiça. Enfim, daquelas pessoas cujos julgamentos
sobre os homens e as coisas são menos fundados sobre as noções de
bem e de mal do que sobre as de eficiência.
São de natureza muito reservadas e tímidas, que não deixam
transparecer suas emoções. Preferem ficar em casa, dentro de um
mundo fechado que são capazes de criar, do que sair em badalações
com amigos.
Gostam do isolamento, por isso dificilmente conseguem ter bons
relacionamentos amorosos. Além disso, são auto-suficientes e
equilibrados.
Os filhos de Ossain possuem uma grande inclinação para questões
humanitárias, sensibilizando-se muito com o sofrimento das pessoas.
Procuram ajudar a quem precisa, sendo despojados de vaidade e
ambições.
Preocupam-se com o seu bem estar e o de sua família, que protegem
contra tudo e contra todos.
Geralmente, gostam de estudar botânica, ou, simplesmente, mexem com
as plantas com muita habilidade. Adoram preparar chás e utilizar
remédios naturais.
Dia da
semana: terça-feira.
Cores: verde-mata, branco e preto.
Domínios: matas, florestas, raízes e folhas.
Oferendas: mandioca ou inhame, folhas de fumo, folhas de café, etc
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