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( Saúdo o Intermediário ! Os
olhos de Deus )

OSUMARE ou
ESUMARE é a única divindade que traz em seu nome a raiz do
nome de OLODUNMARE, o Criador - o sufixo MARE. MARE
significa "Aquele que sempre é", "Aquele que tem autoridade
sobre tudo o que há no céu e na terra e é incomparável",
"Aquele que é absolutamente perfeito", "Supremo em
qualidades". O significado do nome ESUMARE referencia
diretamente o próprio papel desse EBORA, na manifestação e
execução do projeto de OLODUNMARE, através do qual o ase se
esparrama pela terra, enquanto poder de realização,
garantindo através de ESUMARE os ciclos em que se operam
cada etapa de transformações inerentes ao ritmo da vida, em
seu movimento bipolar de fluxo e refluxo, a garantir a
continuidade da existência. Grande Obá (rei) da nação Gêge,
filho de Orixalá (Oulissassa) e Nanan (Anabioko), irmão de
Obaluayê e Iroko. Olorun atribuiu-lhe a função de dar
mobilidade a todos os seres da Terra, representando a coluna
vertebral, nos seres mais desenvolvidos. É o orixá da
transformação, do movimento constante e da harmonia do
universo. Poderoso vodun, é responsável pela evolução, em
todos os sentidos. Obessem (Dan), como é chamado na nação
Gêge, é representado pela cobra não venenosa, que morde a
própria cauda. Veio, dessa forma, para a Terra, para selar a
união das duas metades do planeta, ou hemisférios. Também
uniu as duas metades da maioria dos seres vivos, ou seja, o
lado direito e o esquerdo. O grande Deus, Olorun, esticou
Obessen, para que percorresse e abraçasse todo planeta.
Nessas andanças, a serpente traçou sulcos na terra, formando
o leito de rios e lagos, que mais tarde foram preenchidos
com água. Graças a esse fenômeno, grandes extensões de terra
foram irrigadas e fertilizadas. A terra molhada é muito
importante na concepção religiosa africana, pois representa
a fecundação. Sem isso, não poderia haver evolução e
renovação da natureza. Isso também pode ser notado no
processo de reprodução dos seres humanos, onde o óvulo
feminino simboliza a terra, e o sêmen a água. Contam as
lendas que Oxunmare foi incumbido de fazer retornar para o
orun (céu) todas as águas do planeta (juntamente com uma
qualidade do orixá Oyá, é responsável pelo fenômeno de
evaporação). Esse ciclo interminável, simbolizado pelo
arco-íris, que surge quando a água, que foi devolvida para o
céu, caia novamente na terra em forma de chuva, faz com que
esse orixá reinicie seu trabalho, que nunca tem fim. Esse
processo é muito importante, pois a água limpa, que cai na
terra, purifica a natureza e os seres, preservando a vida
A aliança entre o céu e a Terra foi estabelecida através do
arco-íris, onde Oxunmare revela para o mundo todas as suas
cores. Esse orixá transporta as riquezas de um plano a outro
da existência.
Foi com as sete cores do arco-íris, e as diversas
combinações entre elas, que Oxunmare tornou toda a Terra
multicolorida, diferenciando todas as espécies. Se fosse
pela vontade de Yemonjá, tudo seria azul, como as águas;
Nanan preferia as diferente nuanças da cor terra; e Oxalá
deixaria todo planeta incolor.
Além do arco-íris do sol, Oxunmare também mostra suas cores
ao redor da lua, em alguns dias do ano. Nessa noite, em que
a lua exibe sua aureola colorida, pode-se fazer um ebó muito
poderoso, para retirar todas as nossas mazelas.
Obessem, como rei da nação Gêge, é detentor de grande poder,
fortuna e conhecimento profundo do universo. A cobra vem do
céu para a Terra perfurando-a e saindo pelo outro lado. Por
isso, os assentamentos desse orixá são simbolizados por dois
poços abertos na terra, sem comunicação entre eles, para
representar o movimento que a cobra faz ao atravessar todo o
planeta, por suas entranhas.
Em sua indumentária, que são
representadas por várias cores, aparecem o braja (colar de
búzios) trançado e finalizado por três cabaças (onde estão
guardados seus segredos), uma pequena lança e duas cobras
escuras de ferro. Sua coroa (ade) pode ter formato de
serpente. Nas festas públicas, quando se evoca esse orixá,
através das cantigas que se entoam ao som dos atabaques,
coloca-se uma cuia de água no centro do barracão, onde todos
os iniciados irão reverenciar esse orixá, tocando as mãos na
água e levando-a à cabeça, em sinal de respeito ao grande
Obá, que transporta as águas para o céu. Òsùmàrè é, ao mesmo
tempo, macho e fêmea. Essa dupla natureza parece nas cores
vermelha e azul que cercam o arco-iris. Representa tambem a
riqueza, um dos benefícios mais apreciados no mundo dos
Yorubá. O lugar de origem desse Òrìsà, como Obalúayé e Nàná,
seria em Mahi, no ex-Dahomé, onde é chamado Dan. As contas
azuis, segui para os Yorubá, são aí chamadas Danmi
(excremento de serpente) na língua fon. Segund a tradição,
essas contas são encontradas sob a terra, onde elas teriam
sido evacuadas pelas serpentes, diz-se que elas tem um valor
igual ao próprio peso em ouro. 
LENDAS
DE OSUMARE 

(Do livro "Lendas Africanas dos Orixás de Pierre Fatumbi
Verger e Carybé - Editora Currupio). Oxumaré era,
antigamente, um adivinho (babalaô). O adivinho do rei Oni.
Sua única ocupação era ir ao palácio real no dia do segredo;
dia que dá início à semana, de quatro dias, dos iorubás. O
rei Oni não era um rei generoso. Ele dava apenas, a cada
semana, uma quantia irrisória a Oxumaré que, por essa razão
vivia na miséria com sua família. O pai de Oxumaré tinha um
belo apelido. Chamavam-no "o proprietário do chale de cores
brilhantes". Mas tal como seu filho, ele não tinha poder. As
pessoas da cidade não o respeitavam. Oxumaré, magoado por
esta triste situação, consultou Ifá. "como tornar-me rico,
respeitado, conhecido e admiradopor todos?" Ifá o aconselhou
a fazer oferendas. Ele disse-lhe que oferecesse uma faca de
bronze, quatro pombos e quatro sacos de búzios da costa. No
momento que Oxumaré fazia estas oferendas, o rei mandou
chama-lo. Oxumaré respondeu: "Pois não, chegarei tão logo
tenha terminado a cerimônia." O rei, irritado pela espera,
humilhou Oxumaré, recriminou-o e negligenciou, até, a
remessa de seus pagamentos habituais. Entretanto, voltando à
sua casa, Oxumaré recebeu um recado: Olokum, a rainha de um
país vizinho, desejava consultá-lo a respeito de seu filho
que estava doente. Ele não podia manter-se de pé. Caía,
rolava no chão e queimava-se nas cinzas do fogareiro.
Oxumaré dirigiu-se à corte da rainha Olokum e consultou Ifá
para ela. Todas as doenças da criança foram curadas. Olokum,
encantada por este resultado, recompensou Oxumaré. Ela
ofereceu-lhe uma roupa azul, feita de rico tecido. Ela
deu-lhe muitas riquezas, servidores e um cavalo, sobre o
qual Oxumaré retornou à sua casa em grande estilo. Um
escravo fazia rodopiar um guarda sol sobre sua cabeça e
músicoa cantavam seus louvores.
Oxumaré foi, assim, saudar o rei. O rei Oni ficou surpreso e
disse-lhe: "Oh! De onde vieste? De onde sairam todas estas
riquezas?" Oxumaré respondeu-lhe que a rainha Olokum o havia
consultado. "Ah! Foi então Olokum que fez tudo isto por voce!"
Estimulado pela rivalidade, o rei Oni ofereceu a Oxumaré uma
roupa do mais belo vermelho, acompanhada de muitos outros
presentes. Oxumaré tornou-se, assim, rico e respeitado.
Oxumaré, entretanto, não era amigo de Chuva. Quando Chuva
reunia as nuvens, Oxumaré agitava sua faca de bronze e a
apontava em direção ao céu, como se riscasse de um lado a
outro. O arco-íris aparecia e Chuva fugia. Todos gritavam: "Oxumaré
apareceu!" Oxumaré tornou-se, assim, muito célebre. Nesta
época, Olodumaré, o deus supremo, aquele que estende a
esteira real em casa e caminha na chuva, começou a sofrer da
vista e nada mais enxergava. Ele mandou chamar Oxumaré e o
mal dos seus olhos foram curados. Depois disso, Olodumaré
não deixou mais que Oxumaré retornasse a Terra. Desde esse
dia, é no céu que ele mora e só tem permissão para visitar a
Terra a cada três anos. É durante estes anos que as pessoas
tornam-se ricas e prósperas."
OUTRA LENDA 
Oxunmare, filho de Nanan e Orixalá, recebeu de Olorun uma
missão muito especial e importante para dar continuidade ao
processo de criação e renovação da natureza. Sua tarefa
consistia em carregar, dentro de suas cabaças, toda água da
Terra de volta para o céu. Era uma tarefa árdua e
interminável, pois, nem bem ele enchia as nuvens, a água já
começava a escorrer, molhando tudo novamente. Ele não tinha
tempo a perder, mas, numa dessas viagens, parou para olhar a
Terra e viu um imenso lugar, onde tudo era extraído da lama.
Estava faltando alguma coisa para dar mais alegria ao lugar.
O próprio Oxunmare já tinha colocado em movimento todos os
seres criados, como Olorun havia ordenado, mas ainda não
bastava, tudo parecia muito igual e sem vibração. Ele
resolveu, então, pedir a Deus que o ajudasse a encontrar uma
maneira de trazer mais felicidade para a Terra, e Olorun
concedeu a ele a realização desse desejo. Quando estava
carregando água, sem querer, deixou cair algumas gotas pelo
caminho. De repente, formou-se um arco colorido, de uma
beleza incrível. Aquele arco mostrava as cores do universo,
e, através dele e de suas infinitas combinações, Oxunmare
poderia colorir toda a Terra com diversos matizes,
tornando-a mais alegre e vibrante. A partir de então,
formou-se uma aliança entre Deus (Olorun) e os seres
criados, que sempre poderia ser vista quando as águas do céu
encontrassem a luz do sol.
O arco-íris tornou-se, também, símbolo desse Orixá, que
gosta de movimento e harmonia em todas as coisas.
Arquétipos dos filhos de Osumare
Oxumare é o arquétipo das pessoas que desejam ser ricas; das
pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e
que não medem sacríficios para atingir seus objetivos. Suas
tendências à duplicidade podem ser atribuídas à natureza
andrógina de seu deus. Com o sucesso tornam-se facilmente
orgulhosas e pomposas e gostam de demonstrar sua grandeza
recente. Não deixam de possuir certa generosidade e nçao se
negam a estender a mão em socorro àqueles que dela 
CARACTERÍSTICAS
DOS FILHOS DE OXUNMARE
São pessoas ambiciosas, que fazem o possível para vencerem
na vida. Possuem o dom da paciência e da perseverança. Não
se deixam abater pelas contrariedades que a vida lhes traz,
revertendo sempre a situação a seu favor. Quando conseguem
uma certa projeção social, tornam-se orgulhosos e, às vezes,
arrogantes, ao tentarem diminuir as pessoas que o cercam.
Eles sempre se destacam em qualquer ambiente, exibindo toda
a sua soberania.
Os filhos de Oxunmare são muito bons de coração,
apiedando-se do sofrimento alheio e não se negando a
ajudá-los. Não suportam ser colocados de lado ou serem
traídos de alguma forma. Nessas situações, reagem usando
alguns subterfúgios, para que esses inimigos sintam sua
presença forte e ameaçadora, o que geralmente conseguem. Num
confronto pessoal, agem com muita calma e coragem, falando
tudo o que têm vontade, deixando a outra pessoa sem reação.
São ótimos mantenedores de uma casa e sabem fazer de tudo,
sempre da melhor maneira possível, com muito gosto e jeito.
Na cozinha, são rápidos, eficientes e sabem cozinhar
iguarias que poucas pessoas se dão ao trabalho de fazer. As
pessoas desse orixá são muito comunicativas e extrovertidas,
fazendo seu próprio ambiente onde quer que estejam. São
altivos e orgulhos de suas habilidades, provocando inveja em
muitas pessoas.
Mesmo que estejam passando por momentos difíceis, estão
sempre dispostos a enfrentar os problemas, ao invés de fugir
deles. São muito dinâmicos, indo atrás de novidades em todos
os sentidos. Desempenham muito bem tudo o que se propõem a
fazer, demonstrando extrema segurança em suas ações.
Emocionalmente, são instáveis e com tendência à solidão,
mesmo que acompanhados, provocando nas pessoas todo tipo de
sentimento, como amor, ódio, alegria, compaixão, admiração,
etc. Um aspecto negativo dessas pessoas é o fato de quererem
impor suas idéias e personalidade, o que acaba provocando
muitos atritos em família.
Apreciam e conhecem jóias, bons tecidos, automóveis, bebidas
caras, bons restaurantes, etc.
Podem ser ótimos sacerdotes de qualquer religião, pois
conseguem captar facilmente os sentimentos das pessoas.
| Dia da semana: |
Terça-Feira. |
| Cores: |
Preto, verde, amarelo ou
multicolorido. |
| Domínios: |
Terra, Atmosfera, chuva e
Arco-íris. |
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Oferendas: |
Batata doce, amendoim, inhame |
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