Olorun deu a ela o poder sobre a gestação e a fertilidade
dos seres humanos, sendo muito ligada ao instinto maternal.
Oxun protege o ser criado no momento da concepção e período
intra-uterino. Está presente na hora do nascimento e
pós-parto, tornando-se responsável pela criança o tempo
necessário para que esta possa caminhar sozinha. Esse orixá
também cuida de todo o órgão reprodutor feminino, bem como
do ejé (sangue) que as mulheres liberam no período
menstrual. Muitas oferendas são realizadas em sua homenagem,
com o intuito de possuir o sagrado dom da maternidade, ou
para pedir a cura de alguns dos males ginecológicos.
O poder de gestação, que só as mulheres têm, é muito
valorizado na mitologia africana e, por esse motivo, elas
são consideradas seres mais completos. Oxalá reconhece e
saúda essa dádiva feminina. Esse poder gerador permite que
as mulheres sejam muito melhor feiticeiras do que os homens.
Além disso, elas possuem um sexto sentido muito
desenvolvido, que é a intuição.
O principal emblema de Oxun é o abebe, no qual está
representada a cabaça ventre. Nessa cabaça estão guardados
todos os mistérios da procriação.
A fertilidade, não diz respeito somente à reprodução das
espécies. Num sentido mais amplo, a fertilidade irá atuar no
campo das idéias, despertando a criatividade do ser humano,
que possibilitará o seu desenvolvimento.
Oxun está ligada à riqueza, tendo no ouro seu principal
metal, que é, também, sua cor predominante. Além disso, a
beleza e a graciosidade são seus predicados mais apreciados.
É considerada a maior feiticeira do panteão dos orixás,
sendo, muitas vezes, confundida com a própria Iya-mi
Oxorongá. Tudo que sai da boca dos filhos da Oxun deve ser
levado em conta, pois eles têm o poder da palavra, ensinando
feitiços ou revelando presságios.
Oxun esteve ligada a vários orixás, como Ogun, Xangô, Odé,
Orunmilá e Exú, com quem tem uma grande afinidade.
Oxum é doçura sedutora. Todos querem obter seus favores,
provar do seu mel, seu encanto e para tanto lhe agradam
oferecendo perfumes e belos artefatos, tudo para satisfazer
sua vaidade. Na mitologia dos orixás ela se apresenta com
características específicas, que a tornam bastante popular
nos cultos de origem negra e também nas manifestações
artísticas sobre essa religiosidade. O orixá da beleza usa
toda sua astúcia e charme extraordinário para conquistar os
prazeres da vida e realizar proezas diversas.
Amante da fortuna, do esplendor e do poder, Oxum não mede
esforços para alcançar seus objetivos, ainda que através de
atos extremos contra quem está em seu caminho. Ela lança mão
de seu dom sedutor para satisfazer a ambição de ser a mais
rica e a mais reverenciada. Seu maior desejo, no entanto é
ser amada o que a faz correr grandes riscos, assumindo
tarefas difíceis pelo bem da coletividade. Em suas
aventuras, este orixá é tanto a brava guerreira, pronta para
qualquer confronto, como a frágil e sensual ninfa amorosa.
Determinação, malícia para ludibriar os inimigos, ternura
para com seus queridos, Oxum é, sobretudo a deusa do amor.
Também deusa da fertilidade, na Nigéria é dela o rio que
leva o seu nome e no Brasil dela são as águas doces dos
lagos fontes e rios. Água que mata a sede dos humanos e da
terra, que assim se torna fecunda e fornece os alimentos
essenciais à vida dos homens e mulheres tão amados pela
mamãe Oxum.
Este orixá encarna a identidade feminina, vivendo
intensamente os papéis de filha, amante e mãe. De menina
dengosa, passando pela mulher irresistível até a senhora
protetora, Oxum é sempre dona de uma personalidade forte,
que não aceita ser relegada a segundo plano, afirmando-se em
todas circunstâncias da vida. Com seus atributos, ela dribla
os obstáculos para satisfazer seus desejos.
O orixá amante ataca as concorrentes, para que não roubem
sua cena, pois ela deve ser a única capaz de centralizar as
atenções. Na arte da sedução não pode haver ninguém superior
a Oxum. No entanto ela se entrega por completo quando
perdidamente apaixonada, afinal, o romantismo é outra marca
sua. Da África tribal à sociedade urbana brasileira, a musa
que dança nos terreiros de espelho em punho para refletir
sua beleza estonteante é tão amada quanto a divina mãe que
concede a valiosa fertilidade e se doa por seus filhos. Por
todos seus atributos a belíssima Oxum não poderia ser menos
admirada e amada, não por acaso a cor dela é o reluzente
amarelo ouro, pois como cantou Caetano Veloso, “gente é pra
brilhar”, mas Oxum é o próprio brilho em orixá. Ori Ieiê Ô!
O arquétipo de Oxum é o das mulheres graciosas e elegantes,
com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras. Das
mulheres que são símbolos do charme e da beleza. Voluptuosas
e sensuais, porém mais reservadas que Oiá. Elas evitam
chocar a opinião pública, à qual dão grande importância. Sob
sua aparência graciosa e sedutora escondem uma vontade muito
forte e um grande desejo de ascensão social.
Possuem poderes de feitiçaria e muita força em suas
palavras, sendo portadores de alguns presságios.
O sexo é muito importante para eles, valorizando seus
relacionamentos e o ser amado, desde que sejam gentis e
suaves. Gostam do prazer e da inconseqüência, mas devem
tomar muito cuidado com doenças sexualmente transmissíveis.
Dia da semana: sábado.
Cores: amarelo ouro
Domínios: rios, nascentes, olhos d’água, lagos e cachoeiras.
Oferendas: Omolocun, Ipeté, papa de fubá doce, etc.