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Eèpàrìpàà ! Odò ìyá !   
Oya (Oiá) é a divindade dos ventos,
das tempestades e do rio Niger que, em iorubá, chama-se Odò
Oya. Foi a primeira esposa de Xangô e tinha um temperamento
ardente e impetuoso. Conta uma lenda que Xangô enviou-a em
missão na terra dos baribas, a fim de buscar um preparado
que, uma vez ingerido, lhe permitiria lançar fogo e chamas
pela boca e pelo nariz. Oiá desobedecendo às instruções do
esposo, experimentou esse preparado, tornando-se também capaz
de cuspir fogo, para grande desgosto de Xangô, que desejava
guardar só para si esse terrível poder.
Oiá foi, no entanto, a única das mulheres de Xangô que, ao
final do seu reinado, seguiu-o na fuga para Tapá. E, quando
Xangô recolheu-se para baixo da terra, em Kossô, ela fez o
mesmo em Irá.
Oyá recebeu, de Olorun, a missão de transformar e renovar a
natureza através do vento, que ela sabe manipular. O vento
nem sempre é tão forte, mas, algumas vezes, forma-se uma
tormenta, que provoca muita destruição e mudanças por onde
passa, havendo uma reciclagem natural. Normalmente, Oyá sopra
a brisa, que, com sua doçura, espalha a criação, fazendo
voar as sementes, que irão germinar na terra e fazer brotar
uma nova vida. Além disso, esse vento manso também é
responsável pelo processo de evaporação de todas as águas
da terra, atuando junto aos rios e mares. Esse fenômeno é
vital para a renovação dos recursos naturais, que, ao
provocar as chuvas, estarão fertilizando a terra.
Oyá possui um grande conhecimento, adquirido através da
convivência com muitos orixás, como Ogun, com quem aprendeu
os caminhos; Iroko, que a ensinou a evocar o vento; Odé, com
quem aprendeu a caçar; Xangô, seu eterno companheiro;
Obaluaiê, com quem compartilha o reino dos Eguns; Orunmilá e
Oxalá, entre outros. Vivia com eles o tempo necessário para
aprender o que precisava, deixando-os em seguida, para
continuar com suas andanças pelo mundo. Alguns tentaram, em vão,
prendê-la, mas é impossível segurar o vento. A liberdade é
muito importante para ela.
Foi com Xangô, seu marido, que passou mais tempo, pois os
dois se completavam. Mas, apesar disto, ergueu-se contra ele
em defesa de seu povo, fazendo com que recuasse. Nem mesmo
Xangô conseguiu dobrá-la.
Guerreira poderosa, é também detentora de poderes de feitiçaria,
não temendo nada nem ninguém. Nunca fugiu das batalhas,
agindo sempre com uma força devastadora. Ela se transforma
com muita rapidez para destruir o inimigo, voltando ao normal
logo em seguida, como se nada tivesse acontecido.
Ela tem o domínio e o conhecimento sobre os eguns (espíritos
desencarnados). Após a morte e a limpeza do corpo, que é
realizada por Omolu, Oyá encarrega-se de levá-los até os
portais do orun (mundo paralelo). É Oyá, também, quem se
encarrega de apagar as memórias das pessoas que irão
renascer no aiye (Terra). Quando nós renascemos na Terra
ainda conseguimos lembrar de algums fatos de nossa existência
passada. Aos poucos, ainda na infância, nossa memória vai se
apagando, até que todas as imagens desapareçam.
LENDA DE OYÁ
Segundo a lenda, Oyá vivia feliz com Ogun, pois os dois
tinham muitas coisas em comum, como o gosto pela guerra e o
desejo de desbravar novos lugares. Gostavam da companhia um do
outro, sentindo-se em harmonia. Com ele, que é conhecedor de
todos os caminhos, Oyá aprendeu a andar pela Terra.
Gostava muito de vê-lo trabalhar, em seu oficio de ferreiro,
tentando aprender como ele confeccionava suas armas e
ferramentas. Oyá pedia insistentemente que lhe fizesse uma
arma para guerrear.
Um dia, Ogun a surpreendeu, oferecendo-lhe uma espada curva,
que era ideal para seu uso. Isso a agradou muito, tanto que,
mais tarde, todo seu exército estava usando esse mesmo tipo
de arma.
Mas Ogun não a levava em suas batalhas, deixando-a sozinha e
entediada. Sem falar no tempo que gastava em seus afazeres de
ferreiro. Oyá adorava a liberdade, mas, ao mesmo tempo, não
dispensava uma boa companhia. Começou a sentir-se rejeitada
por ele.
Foi nesse momento que Xangô, o grande rei, foi procurar Ogun,
pois precisava de armas para seu exército. Ele era muito
atraente e cuidadoso com sua aparência. Era impossível não
notar sua presença.
Ogun, aceitando o pedido, começou a produzir armas para Xangô,
que tinha muita urgência. Ficaria na aldeia o tempo necessário
para o término do serviço.
Xangô também notou a presença de Oyá, sentindo uma grande
atração por ela. Com seu jeito de ser, aproximou-se dela
para trocar conhecimentos a respeito de suas habilidades.
Descobriram, nessas conversas, que possuíam muitas
afinidades, inclusive que não gostavam de viver isolados,
assim como Ogun.
Oyá estava muito interessada em Xangô e em tudo o que estava
aprendendo com ele, mas não queria magoar Ogun, a quem
respeitava muito.
Xangô propôs-lhe uma união eterna, sem monotonia, sem solidão,
viajando sempre juntos por toda a Terra. Seria uma união
perfeita.
Quando Ogun terminou seu trabalho, os dois já haviam partido.
Ele ficou enfurecido com a traição de ambos, mesmo sabendo
que sua companheira não podia ficar cativa para sempre.
Partiu atrás deles para vingar sua desonra!
Oyá estava vindo ao seu encontro, para explicar-lhe que não
poderia mais ficar com ele, pois Xangô a completava, mas que
iria respeitá-lo sempre como grande orixá da guerra.
Ogun estava tão enfurecido, que não ouviu o que ela dizia, e
foi com grande fúria que investiu contra ela, erguendo sua
espada. Oyá, em defesa própria, também o atacou. Ela foi
golpeada em nove partes do seu corpo, e Ogun em sete, formando
curas. Esses números ficaram muito ligados a esses orixás,
assim como as curas, que foram introduzidas nos rituais
africanos.
O arquétipo de Oyá-iansã é o das mulheres audaciosas,
poderosas e autoritárias. Mulheres que podem ser fiéis e de
lealdade absoluta em certas circunstâncias, mas que, em
outros momentos, quando contrariadas em seus projetos e
empreendimentos, deixam-se levar a manifestações da mais
extrema cólera. Mulheres, enfim, cujo temperamento sensual e
voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais
múltiplas e frequentes, sem reserva nem decência, o que não
as impede de continuarem muito ciumentas dos seus maridos, por
elas mesmas enganados.
Não suportam trabalhar em lugares fechados e, principalmente,
obedecer ordens, pois não gostam de se sentir inferiorizados.
Por isso, são instáveis em sua vida profissional. Não
aceitam que pessoas de fora se intrometam na rotina de sua
casa ou dêem palpites em sua vida familiar.
Não gostam que lhe digam o que fazer, ou que lhe façam críticas.nbsp;
Sempre tentarão justificar suas atitudes, mesmo que sejam
injustificáveis. Dão muito valor à segurança de um lar e
de uma família bem constituída e feliz. Adoram sua casa,
embora não agüentem ficar presas a ela.
São muito sensuais e apaixonam-se com freqüência, só
aceitando viver com alguém se existir amor. Quando amam de
verdade, fazem de tudo para manter essa relação. São
ciumentos, possessivos e incapazes de perdoar ou esquecer uma
traição. |