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Yemonja
Èérú Ìyá !
( Saudação a Mãe
das espumas das águas ! , com referência às espumas
formadas no encontro das águas do rio com as águas do mar,
que é o local de culto a Yemonja )

Yemonjá filha de
Olokun ( Deus do mar ), cujo o nome deriva de Yeye oman ejá,
"Mãe cujos filhos são peixes", é o Orixá dos Egbás,
uma nação yorubá estabelecida outrora na região de Ibadan,
onde existe ainda o rio Yemanjá. As guerras entre nações
yorubás levaram os Egbás a emigrar, em direção oeste, para
Abeokutá, no inicio do século XIX. Evidentemente, não lhes
foi possível carregar o rio, mas, em contrapartida,
transportaram consigo objetos os sagrados, suportes do Axé da
divindade, e o rio Ogun, que atravessa a região, tornou-se a
partir de então, a nova morada de Yemanjá.
O templo principal de Yemanjá fica em Ibará, bairro da
cidade de Abeokutá. Os fiéis desta divindade vão procurar,
todos os anos, as águas sagradas para levar os Axés,
suportes de seu poder, não no rio Ogun, mas na fonte de um de
seus afluentes, chamado Lakaxá. Esta água, recolhida em
jarras, é trazida em procissão para seu templo.
No Brasil, Olokun é praticamente desconhecido, ao passo que
Yemonjá é a grande senhora dos mares. Os pescadores
brasileiros têm por ela verdadeira adoração, sendo uma
poderosa protetora nos momentos de perigo, e companheira,
quando a solidão do mar os invade. Eles acreditam que, se
morrerem no mar, Yemonjá, em pessoa, irá conduzi-los para
sua derradeira morada, e, nessa hora, poderão apreciar a
deslumbrante beleza dessa mãe das águas.
Orixá responsável pela concepção da vida, pela
fertilidade, é totalmente ligada às águas, sendo denominada
a mãe dos filhos peixes. Como sabemos, tanto pelas
descobertas científicas como pelas antigas lendas africanas,
a vida desenvolveu-se primeiro na água. Por isso, Yemonjá é
detentora do poder da criação, ou concepção dos seres
vivos.
Na mitologia, ela foi mãe de Ogun e Odé, além de adotar
como filhos outros orixás, como Obaluaiê e Omolu, que foram
rejeitados por sua verdadeira mãe. Yemonjá possui um grande
instinto maternal, sabendo cuidar com muito zelo de seus
protegidos.
É, muitas vezes, associada às sereias, mas, na verdade, é
um orixá, e, como tal, não tem forma humana nem animal. Em
todo mundo, diversos povos cultuam essas divindades que
habitam as águas do mar, assumindo as mais diversas formas.
Nós, seres humanos, também somos formados por água,
possuindo uma pequena parte desse elemento de Yemonjá em
nosso corpo. Por causa disto, é que no obori (dar comida à
cabeça), ritual realizado tanto para fortalecimento do corpo
da pessoa (que irá receber a energia do orixá) como para
compensar o adiamento de uma obrigação do Candomblé, serão
feitas oferendas também para Yemonjá, além do próprio orixá
da pessoa. Todos os seres têm uma grande ligação com esse
orixá, inclusive os filhos de orixás pertencentes ao
elemento fogo, como Xangô.
Os iawôs têm sua cabeça e os pés pintados de azul em
homenagem à Yemonjá, porque ela, segundo algumas lendas,
queria que todo ser humano fosse azul, como a cor de suas águas,
ao invés dessa cor que se assemelha à terra.
Yemonjá tem dias especiais de culto no calendário
brasileiro, onde são realizadas muitas festas religiosas, com
oferendas de barcos enfeitados, flores, espelhos, pentes, etc.
O domínio de Yemonjá compreende a zona de arrebentação das
ondas ou quebra-mar, e não a praia. O mar despeja todo o seu
lixo na areia da praia, que é um lugar onde não devem ser
feitas oferendas.
Yemonjá é o orixá da paz, da ausência de conflitos e da
fartura.
LENDA DE YEMONJÁ
Yemonjá, grande orixá das águas, era filha de Olokun, o
senhor dos oceanos. Era possuidora de um grande instinto
maternal, que fez dela mãe de dez filhos. Embora casada, não
tinha grande apego por seu marido. Às vezes, pensava em deixá-lo,
mas ele era um homem muito importante e poderoso, e não
permitiria tal desonra. Yemonjá também pensava no bem-estar
de seus filhos, não podendo deixá-los desamparados.
Seu marido usava o poder com tirania, inclusive com sua família,
tornando a vida dela insuportável. Ela não agüentava mais
se submeter aos caprichos de um homem que ela desprezava.
Ela procurou seu pai para aconselhar-se sobre a atitude que
deveria tomar. No fundo, ela já estava decidida a fugir, mas
precisava de seu apoio. Olokun não a recriminou, pois ela era
uma soberana e, como tal, não poderia aceitar o jugo de ninguém.
Ele, então, deu à sua filha uma cabaça com encantamentos,
para que ela usasse quando estivesse em perigo.
Yemonjá colocou seu plano em prática, fugindo com todos os
seus filhos.
Quando ela já estava bem longe de sua aldeia, viu que estava
sendo perseguida pelo exército de seu marido. Pensou em
enfrentá-los, mas eles eram muitos e seria uma luta desleal.
Yemonjá odeia os confrontos, pela destruição que causam, já
que é um orixá propagador de vida.
Quando se sentiu acuada, resolveu abrir a cabaça e pedir
socorro ao seu pai. Do seu interior escoou um líquido escuro,
que, ao tocar o chão, imediatamente formou um rio, que corria
em direção ao oceano.
Foi nessas águas que Yemonjá e seu povo encontraram um
caminho para a liberdade.
CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE YEMONJÁ
As mulheres desse orixá assumem a condição de dona do lar,
mãe e mulher. Como mães, sabem cuidar muito bem de sua
prole, em todos os sentidos, preocupando-se com a saúde,
higiene, aprendizado, educação e alimentação. Geralmente,
são muito severas e, às vezes, cometem alguns exageros
nesses cuidados. Elas não descansam enquanto tudo não
estiver dentro dos padrões estabelecidos por elas próprias.
São perfeccionistas em tudo que fazem, e não gostam das
coisas malfeitas. Adoram limpeza e organização, sempre
conferindo se o serviço foi bem feito, caso elas mesmas não
possam assumir as tarefas do lar. Mesmo trabalhando fora, não
descuidam de sua casa e do bem estar de sua família, que
geralmente é numerosa.
Não gostam da solidão, por isso dão muito valor à sua vida
familiar, sendo muito carinhosas com seus entes queridos.
Mesmo que, às vezes, ajam com austeridade, elas estão única
e exclusivamente pensando no bem-estar de todos. Freqüentemente,
esquecem de si próprias, de seus anseios e necessidades, para
trabalhar em prol da felicidade dos que ama. Tendem a ser a mãe
de todos que as cercam.
Os filhos de Yemonjá assumem muitas responsabilidades,
encarando os problemas com inteligência e sempre encontrando
a melhor solução. Adoram mandar, por isso têm a fama de
autoritários.
Não gostam de empregos competitivos, preferindo os mais
calmos, que possibilitem um bom desenvolvimento de seu
trabalho. São pessoas muito confiáveis e competentes no que
fazem. Sem muitas ambições, preferem viver bem e com segurança
o seu dia a dia, do que sonhar acordado.
A força e a determinação são traços marcantes de sua
personalidade, assim como a amizade e o companheirismo.
São discretos e capazes de fazer chantagens emocionais, mas
nunca diabólicas.
Demoram muito para confiar em alguém, pois não gostam de ser
apunhalados pelas costas. Embora possuam grande capacidade de
perdoar, nunca esquecem o que lhe fazem, tanto de bom, quanto
de ruim.
Têm muito jeito para ensinar, principalmente as crianças,
sendo ótimas professoras.
Os filhos de Yemonjá gostam de luxo, jóias, bons tecidos e
conforto. Não apreciam as viagens e detestam hotéis, pois
nada se compara à sua casa.
Fisicamente, são pessoas que possuem tendência a engordar,
sendo, na sua maioria, pessoas cheinhas. São bons garfos e
bons cozinheiros, não dispensando os doces e as guloseimas.
Podem apresentar problemas nos rins e tendência a reter líquidos
no organismo.
A sexualidade é um pouco reprimida, sendo pudicas e tímidas
nessa área.
Encaram a vida como uma grande jornada de travessia longa e
difícil, mas encaram isso com muito praz
er.
Dia da semana: Sábado.
Cores: branco, prata, transparências de azul e verde.
Domínios: lagoas, mares (quebra-mar) e pororocas.
Oferendas: manjar branco, canjica amarela, milho branco com
mel, etc. |